Uma realidade pouco animadora

A maior necessidade no Brasil nos próximos dez anos é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro.

Basta lembrar que até 2021 cerca de 20 milhões de pessoas precisarão de novos postos de trabalho e que no último biênio houve o saldo negativo de 800 mil empregos formais com remuneração acima de dois salários mínimos!

 

Para enfrentar esses desafios é preciso que a economia cresça de forma rápida e sustentada.

 

Desde o último terço do século XIX até aos anos setenta do século passado, o Brasil saiu-se excepcionalmente bem no quesito crescimento.  Estivemos muito à frente da economia mundial. Nos últimos trinta anos, porém, essa vocação saiu de moda.

 

Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar.  Impressão, infelizmente, sem fundamento.

 

Como mostrou o professor Reinaldo Gonçalves, o desempenho da economia brasileira nos últimos oito anos foi inferior à média mundial, ocupando a 96ª posição no painel de 181 países. E, em matéria de PIB per capita, o país passou da 66ª posição para a 71ª posição.

 

Em termos de índice de desenvolvimento humano, o IDH, caímos de posição no cenário mundial, de 65ª em 2003 para 73ª em 2010. Isso tudo apesar de o Brasil desfrutar da maior fase de bonança externa já observada.

 

O mais preocupante, em todo caso, não é esse desempenho modesto, mas as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país:

 

1. O perverso tripé macroeconômico: carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento;  maior taxa de juros reais de todo o planeta e taxa de câmbio megavalorizada; uma das menores taxas de investimentos governamentais  do mundo.

 

2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas,  ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos.

 

3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano.

 

O novo governo promete que vai enfrentar os desafios, mas mostra falta de convicção e de rapidez, além de falta de prioridades, cujo símbolo maior é o trem-bala.

 

A falta de convicção apareceu na crise do sistema aeroportuário, onde depois de anos demonizando as privatizações o PT e a presidente Dilma concluíram que melhor mesmo é privatizar.

 

E a falta de rapidez fica visível no atraso das providências para a Copa do Mundo. Assunto no qual em vez de resolver os problemas o governo prefere terceirizar responsabilidades.

 

Minha torcida, como a de todo brasileiro, é para que as coisas deem certo, ou o prejuízo será, como já tem sido, coletivo. Para tanto, é preciso que se tomem as providências adequadas. Não é o que está em curso ainda, infelizmente.

Veja Também

Artigo: O vício da mediocridade

O Estado de São Paulo, 25 de junho de 2015. Os tropeços do modelo de ajuste econômico implantado pelo governo Dilma não surpreendem. Trata-se de uma frustração anunciada. Como eu disse…

Artigo na Folha: “Constituição no fim”

Constituição no fim Folha de S.Paulo 6 de setembro de 1988 Praticamente, já temos uma nova Constituição, com as virtudes e defeitos que envolvem a principal representação política da população…

Artigo: Há o direito adquirido de quebrar o país?

O Estado de S. Paulo, 28 de novembro de 2013 Está na pauta do STF um conjunto de ações relativas à correção de cadernetas de poupança (CPs) durante quatro planos anti-inflacionários do…